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Fotodocumentário – Raízes

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Raízes

Eu sempre fui apaixonado por fotografia. A Maíra trabalha há anos com o tema social e de família e na convivência com ela e este círculo social foi possível perceber um pouco do amor e da técnica que cada clique envolve. Fiquei apaixonado pela sensibilidade que é preciso para registrar não só uma imagem, mas toda uma história por trás de uma foto, onde um segundo a mais ou um segundo a menos faria com que aquele retrato da realidade não fosse mais completo…

A filantropia e o amor pela causa social que cresce em mim aliado ao estudo e desapego do estilo de vida de um Nômade Digital me fizeram querer aliar os dois temas, viajar por viajar talvez comece a não me fazer mais sentido. Infinitas pessoas já tiraram fotos da árvore de natal do central park acendendo, ou já tomou banho no mar morto e retratou isso – estes são alguns itens da nossa lista de desejos, não que ainda não queiramos fazer isso um dia, pois acredito que seria uma experiência incrível, mas nestes mesmos lugares talvez as pessoas e as histórias sejam mais importante.

Como vocês sabem acabamos de fazer uma road trip pelos pampas gaúchos e argentinos, e como nasci em São Borja, uma pequena cidade por onde passamos, quis documentar um pouco sobre minha infância e como ela era, assim nascendo este primeiro Fotodocumentário denominado Raízes. Acredito que esta será uma série de Posts retratados como Fotodocumentário onde pretendo com a pouca técnica que tenho e da maneira mais verdadeira possível retratar histórias sobre nossas viagens. Espero que vocês sintam não somente como é estar em nossa pele, mas que por alguns instantes esqueçam que nós existimos e vivenciem o momento do clique.

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Esta cabeça, por alguns instantes confundida com o final de um galho, estava presa em uma árvore na frente de um lugar onde caçadores haviam passado a noite. Como um troféu, vestia uma das mais profundas barbáries cometidas pelo ser humano nos dias de hoje, o genocídio dos animais, barbárie esta que passa desapercebido por milhões que não praticam uma dieta vegetariana. Para mim era algo chocante, para eles apenas um adorno. Lembro de quando eu era pequeno e meu avô nunca deixou que caçassem em suas terras. Acredito que apesar de ele comer carne, algum sentimento de amor pelos animais sempre esteve presente em seus pensamentos.

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Lembro-me como se fosse hoje, sempre que estava indo da cidade para o campo passava por este cemitério. Era um pequeno cemitério na beira da estrada, que na minha cabeça infantil estava abandonado e era mal assombrado. Nunca tinha estado nele a não ser pelas milhares de vezes que passei pela sua frente e desta vez parei para conhecê-lo por dentro. Tinham talvez dez ou vinte túmulos dos entes queridos das pessoas que moravam na beira da estrada. Esse, em particular, me chamou atenção por estar aberto, quebrado e mal conservado. Perguntamos para algumas pessoas que falaram que não sabiam quem estava enterrado lá, mas que volta e meia aparecia com flores.

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Esta foto foi tirada no mesmo cemitério, trata-se de um túmulo que fica no centro dele, não conseguí muitas informações sobre quem ali descançava, mas haviam tantas cruzes neste mesmo local que me chamaram atenção em como conseguiam ficar harmoniosas em seu caos.

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O barulho do motor desta máquina era ouvido de longe, acabava com o silência da calmaria desta imensidão. Esta terra estava sendo lavrada para que pudesse ser plantado nela. Em dias de colheita a mairoia das fazendas trabalham 24h por dia, um contraponto para o silêncio que é dormir em um lugar tão isolado quanto este. As paisagens por muitas vezes verdes e cheias de vida se destoam desta que parecia seca e morta.15776162_1259788067435032_1514538901_o

Nesta estrada se conseguia ver esta diferença. À esquerda existia um campo verde e cheio de vida, no centro a estrada de terra era marrom e cheia de pedregulhos e a direita o morro estava totalmente seco e sem vida, parecia uma área em desertificação.

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Como as terras nesta região são muito secas, estes canos são literamente as veias das fazendas. Transportam água de um rio próximo para que as plantas não morram. No final deste cano praticamente uma vila com casas e homens fortemente armados prontos para inibir a ação de possíveis ladrões que queiram roubar o motor que puxa a água, tão importante para o seu sustento. Por segurança dos moradores preferímos não registrar este lugar.15748185_1259787854101720_1548750660_o

Esta era uma das centenas de saídas de água que existiam no caminho, conhecidas como “Boca de cano” são corriqueiramente usadas para se refrescar, em minha infância muito tomei banho em lugares parecidos com este, no verão, pegávamos nossa bicicleta, íamos para esses lugares e passávamos o dia inteiro brincando. Em alguns lugares era bastante perigoso porque ou a correnteza era muito forte e poderíamos nos afogar ou o cano era muito baixo e caso o motor fosse desligado poderíamos ser sugados para dentro.

Espero que tenham gostado deste pequeno fotodocumentário, deixe seu feedback ou dúvida nos comentários que responderei com todo carinho.

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